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O jeitinho brasileiro tem um teto
Todos os dias eu vejo pedido de bond de performance passar pela nossa mesa. Contrato de trezentos, quatrocentos mil dólares. O que decide se o cliente consegue emitir esse bond nunca é quanto ele trabalha. É se ele tem crédito, se declarou o imposto de renda direito, se fez o seguro da forma certa.
Do outro lado da mesa, recebo brasileiro todo dia reclamando de outro brasileiro. Trabalhei duas semanas pra um conterrâneo, ele sumiu, me deu cheque sem fundo, parou de responder. Isso não é exceção. É o jeitinho brasileiro tentando funcionar aqui do jeito que funciona lá.
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US$ 300-400 mil
valor típico dos contratos que exigem bond de performance
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Aqui não foi feito pra você dar um jeitinho. Foi feito pra você jogar by the book.
Al Capone não foi preso por matar, nem por vender bebida na Lei Seca, nem por tráfico. Foi preso por declarar o imposto de renda errado. Um dos criminosos mais habilidosos da história dos Estados Unidos, e o sistema pegou ele pela porta mais simples que existe.
Não é sobre ser esperto o suficiente pra passar despercebido. É sobre o sistema ainda não ter olhado pra você.
O jeitinho brasileiro te leva de A pra B. Pra chegar em C, D, virar alguém importante aqui de verdade, você precisa emitir nota, declarar imposto certo, ter crédito, ter o seguro certo. É isso que decide quem fecha contrato de quatrocentos mil dólares e quem fica de fora.
Um punhado de brasileiro dando calote em outro brasileiro mancha o nome de todo mundo que trabalha duro aqui. Resolve isso. Faz certo. É a única forma de o sistema começar a te enxergar, e te enxergar direito.
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